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terça-feira, 24 de abril de 2018

"Soro", grupo de estudos e debates feministas, visita a Casa de Referência Tina Martins


Falar de feminismo na escola soa estranho para muitos, suscita dúvidas e questionamentos. O próprio conceito ainda é alvo de controvérsias e gera compreensões diversas. A fim de buscar lucidez e partilhar experiências, um grupo de alunas e alunos iniciou o que denominaram “Soro” (termo que remete à sororidade, atitude que evoca irmandade, respeito, empatia entre e para com as mulheres; e também sugere a ideia de soro, algo que propicia cura, prevenção, cuidado...), grupo de estudos e debates em torno do feminismo e das questões que lhe são próprias: dignidade e direitos da mulher, autoestima, cidadania, promoção da igualdade e conscientização frente aos preconceitos existentes nas relações sociais. 

A percepção de fundo e que motiva a existência do grupo é entender que vivemos numa sociedade em que ser homem difere substancialmente de ser mulher. Difere em costumes, oportunidades, nas condições de trabalho, possibilidades de ser e estar no mundo, enfim. Compreender diferenças e barreiras que separam a vida dos homens e das mulheres é uma necessidade para quem se encontra na adolescência da vida, amadurecendo a consciência de si mesmo e do mundo. 


Um grupo de estudo e reflexão feminista faz todo o sentido numa perspectiva educacional: para as próprias participantes e componentes do grupo e, em âmbito diverso, para a escola, ao possibilitar que iniciativas formativas dos seus estudantes ganhem substância e visibilidade. Debater o feminino e o feminismo na escola é exercício da cidadania, do amadurecimento da reflexão e da conscientização sobre valores e conflitos vigentes na sociedade. 

O grupo Soro visitou, em abril, a Casa de Referência da Mulher Tina Martins, referência fundamental na atuação para efetivar políticas públicas destinadas às mulheres e, especificamente, na acolhida e assistência às mulheres vítimas de violência em Minas Gerais. Coordenada por jovens estudantes e profissionais, essa visita se constituiu num marco para o grupo, ao dar a conhecer experiências de mulheres engajadas na construção de um mundo melhor e mais justo para todas e todos.



segunda-feira, 3 de julho de 2017

Grupo de estudos e debates feministas: uma atividade formativa!



Falar de feminismo na escola ainda soa como algo estranho, suscita dúvidas e questionamentos. O próprio conceito, que na realidade é tão plural e diversificado, ainda é alvo de controvérsias e gera compreensões as mais diversas.




Justamente para buscar lucidez e partilhar experiências, um grupo de alunas e alunos iniciou o que denominaram “Soro” (termo que remete à sororidade, atitude que evoca irmandade, respeito, empatia e ética entre e para com as mulheres; e também sugere a ideia de soro, algo que propicia cura, prevenção, cuidado...), um grupo de estudos, partilhas de experiências e debates em torno do feminismo e das questões que lhe são pertinentes: a dignidade e os direitos da mulher na sociedade, autoestima, cidadania, promoção da igualdade e conscientização frente aos preconceitos que ainda existem nas relações sociais.

A percepção de fundo e que motiva a existência do grupo é entender que vivemos numa sociedade em que ser homem difere substancialmente de ser mulher. Difere em costumes, oportunidades, nas condições de trabalho, possibilidades de ser e estar no mundo, enfim. Diferença que historicamente se mostra como subtração de oportunidades. Compreender essas diferenças e os muros que separam a vida dos homens e das mulheres é uma necessidade para quem se encontra na adolescência da vida, amadurecendo a consciência de si mesmo e do mundo.

Criar um grupo de reflexão feminista tem todo sentido numa perspectiva educacional: primeiramente, para as próprias participantes e componentes do grupo e, em âmbito diverso, para a escola, ao possibilitar que iniciativas formativas dos seus estudantes ganhem substância e visibilidade. Debater o feminino e o feminismo na escola é uma oportunidade de exercício da cidadania, do amadurecimento da reflexão e da conscientização sobre valores e conflitos vigentes na sociedade.



* O grupo Soro se reúne às terças feiras, de 13h às 13h50, na sala do Depas.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Educadores agostinianos visitam companhia de Teatro de Bonecos Origens

Um grupo de educadores de escolas agostinianas visitou a companhia de Teatro de Bonecos Origens, partilhando emoções e reflexões pertinentes ao seu trabalho nas escolas.



Promovendo o acesso aos bens culturais nas periferias de Belo Horizonte, o grupo Origens especializou-se por acolher o público com deficiências diversas, possibilitando-lhes interação e inclusão social e desenvolvimento de suas capacidades cognitivas e motoras.

Após a apresentação do espetáculo “O construtor de bonecos”, tivemos a oportunidade de conversar com os atores da companhia de teatro e com seus diretores e idealizadores, Roberto Ferreira da Silva e Aparecida Oliveira da Silva. Roberto é um dínamo, um fenômeno da natureza: de fala veloz e certeira, narrou-nos sua história de vida, que funde-se à história da própria companhia de teatro. Eletricista e empreendedor, tornou-se titeriteiro (aquele que constrói bonecos e marionetes, dando-lhes vida no teatro) e pedagogo quando vislumbrou, nas oficinas e teatros de bonecos, um sentido maior para a sua existência. 


Acreditar que esses bonecos poderiam ampliar os horizontes de vida de crianças, jovens e adultos com deficiências foi só mais um desafio entre tantos que Roberto e Cida encararam... e venceram! Roberto, hoje, é membro da Unima (União Internacional de Marionetes), integra o Conselho de Educação, Desenvolvimento e Terapia dessa instituição e desenvolve um projeto inovador em âmbito mundial de arte-terapia e interação social do público portador de deficiências. 


Conhecer seu trabalho desperta coragem e ânimo, suscita reflexões e sonhos. Hoje, as escolas acolhem crianças, jovens e adultos com deficiências diversas e lidam com obstáculos e receios consideráveis: o que fazer, como fazer para proporcionar verdadeira interação e desenvolvimento das potencialidades desse público? Como superar preconceitos e estigmas sociais? Quais experiências e formação os profissionais e educadores devem buscar para se sentirem aptos e preparados para serem promotores desse processo de crescimento? Qual o diálogo necessário deve-se estabelecer entre aluno/escola/família?



Ora, Roberto e Cida, ao iniciarem sua trajetória no teatro de bonecos com deficientes, também formulavam para si mesmos (e ainda formulam) tais questões. O que os prepara a cada dia é um enorme e generoso coração, que se deixa inquietar e se provocar pelas oportunidades que surgem a cada passo dado. Vindos dos confins do Barreiro, periferia de Belo Horizonte, hoje são referência mundial na promoção de pessoas com deficiências diversas. Sua experiência acumulada está aí, uma rica bagagem cultural, pedagógica, espiritual, terapêutica apta a ser partilhada e aperfeiçoada por outros educadores que ousem se inquietar pelos desafios da vida. 


O espetáculo “O construtor de bonecos” é apresentado aos segundos domingos de cada mês, às 16h na rua do Triunfo, 200 – bairro Miramar, Barreiro, Belo Horizonte/MG (próximo à escola municipal Dulce Maria Homem)


Mais informações: 


http://teatrodebonecosorigens.com.br/ https://www.facebook.com/AssociacaoDeTeatroDeBonecosOrigens/







quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Solidariedade na infância



"Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música(...). A experiência da beleza tem de vir antes".
(Rubem Alves)




Como são importantes atitudes de acolhida, generosidade, respeito ao próximo! Não tem idade para começar a ensinar tais atitudes: pelo contrário, quanto mais cedo aprendemos esses valores, maiores as chances de orientarem nossas ações e o modo como vivemos. Aprendizagem que está no topo daquilo que consideramos fundamental no processo educativo! 

Durante o mês de outubro, as professoras do Maternal, Bruna, Camila, Mércia e Letícia propuseram comemorar o dia das crianças de um modo bem desafiador: que as crianças do segmento pudessem oferecer, de seus próprios pertences, um brinquedo para outra criança, em forma de presente. E na própria convivência em sala de aula, elas cultivavam, em sintonia com esse desafio, gestos de cuidado e atenção para as necessidades dos colegas. 

Essa proposta culminou com a visita de cerca de 60 alunos do Centro Educacional Padre Ibiapina, do bairro Bandeirantes, com quem nossos alunos brincaram, fizeram juntos atividades pedagógicas (educação física, música), partilharam os lanches e, de modo muito festivo, lhes deram seus presentes. 

Essa proposta mostra-nos como, em geral, as crianças apreciam a convivência com as pessoas e se familiarizam rapidamente entre elas. A nós, adultos e educadores, cabe aproveitar essa abertura e incentivá-las a construírem gestos de acolhida e reciprocidade. Bons frutos colheremos dessa aprendizagem!




quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Funcionários da SIC participam de palestra com o educador César Nunes



O ano de 2015 dá seus primeiros passos. Para muitos, paira no ar a sensação de incertezas: o cenário político e econômico brasileiro se mostra instável; de certo modo, isso causa perplexidade, considerando-se que um amplo processo eleitoral há pouco se encerrou e atendeu o desejo da maioria da população votante – portanto seria plausível esperar que estivéssemos num momento mais leve e de otimismo. O cenário mundial também não se diferencia do que ora vivemos aqui: efeitos da crise econômica ainda se estendem pela Europa, as mudanças climáticas se agravam em todos os continentes, guerras e fundamentalismos se tornam mais exacerbados e virulentos na aurora do ano que mal se inicia... Momentos confusos exigem discernimento e lucidez; pausa e inspiração. Onde buscá-las? 

 Os funcionários, professores, dirigentes dos colégios, obras sociais e religiosas da SIC, mantenedora da rede educacional Santo Agostinho, estiveram reunidos, nessa primeira semana de fevereiro, com o educador Cesar Nunes, professor da Unicamp, para uma reflexão que se mostrou realmente inspiradora e instigante sobre os caminhos da educação brasileira e as possibilidades de transformação que se apresentam especificamente nessa área.

 Munido de grande erudição e saber, somados a uma comunicação sensível e bem humorada, César falou para a “inteligência e o coração” dos seus ouvintes. Lembrando, à luz do pensamento de Jean-Paul Sartre, que o ser humano é “aquilo que fizeram dele, somado àquilo que ele faz do que fizeram dele”, César Nunes conduziunos pela história da educação brasileira, com seus condicionamentos históricos, suas matrizes políticas, filosóficas, debilidades e contradições vindas daí. A educação brasileira responde, hoje, pelo que fizeram dela no passado. Conhecer seus percalços é fundamental: permite-nos tomá-la como uma tarefa ainda a ser efetivada, rever conceitos e atitudes, buscar novos horizontes e inspirações. Há muito o que fazer. Ela será aquilo que fizermos dela: crer em sua transformação, acolher e sustentar as mudanças que já ocorrem, suprimir práticas que já não condizem com o tempo presente, são gestos genuinamente revolucionários, pois permitem vir à luz algo novo, melhor! 

César Nunes foi discípulo e companheiro de trabalho de nomes fundamentais para a educação brasileira, tais como Paulo Freire, Rubem Alves, Demerval Saviani – verdadeiros faróis a iluminar os caminhos da história recente do pensamento pedagógico. César descobriu, em sua própria história de vida, as raízes do educador que ele se tornou, raízes que se fecundaram na leitura, interlocução e convivência com aqueles homens. Compartilhou com eles que o educar é, por si mesmo, um ato político: oferece instrumentos para que a pessoa se torne sujeito da sua própria história, consciente, atuante e decisivo na realidade em que está inserido. Educar constitui-se como ato de grandeza, tendo como finalidade auxiliar-nos a “tornar-nos pessoas” mais plenas, iniciando-nos no mundo da cultura, da consciência de si mesmo e da vida em sociedade, da aquisição de atitudes e valores que norteiam “aquilo que fizeram de nós e aquilo que faremos daquilo que fizeram de nós”! Seria liberdade a palavra que expressa melhor a finalidade do educar?

Ora, uma educação libertadora distingue entre o fundamental e o que é apenas circunstancial. Princípios e valores que a sustentam são permanentes: respeito, amor, comunidade, transcendência... Práticas e resultados, hábitos e métodos estão em constante mudança, pois se destinam a atualizar a educação para tempos igualmente em constantes transformações. Vivemos hoje sob o prisma de uma sociedade do consumo: nela, os saberes se destinam ao lucro, à eficiência e produtividade. Ela demanda um modelo de educação que prepare pessoas competitivas, adaptadas às exigências do mercado e que dominem as técnicas e tecnologias em vista de ocuparem postos nesse mesmo mercado, favorecendo a continuidade do próprio sistema de consumo. A educação libertadora considera a pessoa em sua inteireza. Portanto, educar não se restringe a acumular informações, responder avaliações, cumprir tarefas. Aprender a ser, a conviver, a pensar globalmente, a traduzir o aprendido numa prática efetiva: são seus pilares irrenunciáveis. Num horizonte mais amplo, mais do que habilitar tecnicamente as pessoas, preparando-as para determinados afazeres, a educação libertadora se identifica com o espírito humanista: seu desejo é proporcionar ao homem ser pleno em suas potencialidades, pois só na plenitude da humanidade conseguiremos articular sociedades plenamente capazes de acolher as pessoas em suas diversidades. Uma educação libertadora fala para o intelecto, tanto quanto fala para o afeto, a arte, o corpo, a convivência com o outro... dimensões da vida que não são alcançadas pelas avaliações tradicionais e que não compõem o fundamental na cultura tecnicista atual. 

De modo emblemático, César Nunes partilhou as memórias dos seus anos iniciais na escola. Lá, encontrou dois paradigmas educacionais, encarnados nas figuras da dona Cotinha e do seu Norberto, professores que marcaram sua vida. Em dona Cotinha, encontrou a educadora amável, capaz de empatia e afeto, que despertou e fortaleceu a estima própria de um aluno inseguro e estreante no mundo da escola. Nela, César pôde tomar consciência dos valores que circunscreviam o seu próprio mundo, advindos da tradição e cultura sertanejos, transformando-os numa verdadeira plataforma para expandir-se pelos horizontes que a vida iria lhe apresentar. Já com o professor Norberto, César conheceu uma escola de práticas rígidas, excludente, pautada pelos resultados e pela eficiência, uma escola que desperta medo e competição, que interdita a criatividade e enobrece a obediência. 

Claro que a realidade não é assim tão bem definida: há, em cada Cotinha, um pouco do professor Norberto; do mesmo modo, o professor Norberto também tem em si um pouco da dona Cotinha. Eles são retratos da condição humana que nos une: “Não consigo entender nem mesmo o que eu faço; pois não faço aquilo que eu quero, mas aquilo que mais detesto” (Rm 7, 15). Vivemos sob o signo da contradição. Contudo, segundo a tradição cristã, “Cristo nos libertou para que sejamos verdadeiramente livres. Portanto, sejam firmes e não se submetam de novo ao jugo da escravidão” (Gal 5, 1). Há uma linha tênue entre pecado e graça, liberdade e escravidão, a lei e o amor; essa linha torna-se condição de possibilidade para irmos adiante, “esperar contra toda esperança”, e encontrarmos em nós mesmos e naqueles que nos antecederam caminhos novos para a nossa existência. Deslumbrar essa possibilidade, por meio das palavras de César Nunes, certamente tocou cada um de seus ouvintes. Tenhamos, pois, coragem e energia vital para ir além, munidos de tal esperança!

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Transformando relações por meio da arte cênica

“Aquele que transforma as palavras em verso transforma-se em poeta.
Aquele que transforma o barro em estátua transforma-se em escultor.
Ao transformar relações sociais e humanas em cena de teatro,
[o ator] transforma-se em cidadão”.
(Augusto Boal)

           
             Viver é relacionar-se: condição humana fundamental! Conviver com o outro é o campo em que forjamos o que somos: caráter, personalidade, valores, potencialidades e limites. A convivência é o lugar da realização humana: nela se estabelecem os conflitos e as tomadas de decisões. O modo como lidamos com isso lapida aquilo que somos.
            Tomar consciência dos conflitos e das decisões com as quais lidamos nos possibilita uma passagem: a de meros espectadores das tramas da vida para a de agentes transformadores da vida! Essa passagem torna-se autêntico ato político, libertador, educador!
            Mas como proporcionar essa passagem? Muitos pensadores, pedagogos, intelectuais e cidadãos dedicaram suas vidas a isso. Augusto Boal, artista e diretor teatral brasileiro propôs um método criado por ele chamado de “Teatro do oprimido”: por meio de esquetes e cenas teatrais, ajudar as pessoas a se reconhecerem nas situações vividas e refletir a respeito, por meio do diálogo e da troca de ideias. Essa reflexão ajuda a florescer a consciência de que podemos ser “agentes de transformação”, e que a vida não “tem” que seguir um script determinado, e que há espaços para mudanças e outras formas de lidar com os conflitos.

            Essa experiência foi vivenciada pela turma do 9º ano D (na quarta-feira, dia 17/09), a partir de uma ótica muito específica: a do bullying como forma de relação opressora no meio escolar. Organizados em três grupos, os alunos prepararam cenas em que o fenômeno do bullying se apresenta como elemento conflituoso nas relações dos jovens estudantes. Encenar tais situações proporcionou algumas reflexões e sentimentos interessantes, manifestados pelos alunos. Primeiro: o desconforto em reconhecer momentos em que uma pessoa é diminuída em sua autoestima por meio de zombarias ou rótulos desrespeitosos. Depois, a consciência de que é preciso romper com os elos e relações repressoras, proporcionando espaços de liberdade de expressão – romper com os silêncios, enfim. E, sobretudo, entender que as relações se constroem e se refazem a cada dia: mesmo quem é alvo de bullying pode e deve reverter essa condição, por meio do “encorajamento”, iniciativa e diálogo no espaço da convivência escolar.
            Esse trabalho é um ponto de partida para os alunos amadurecerem a consciência de que todos são cidadãos no âmbito desse espaço e, portanto, merecedores de respeito e consideração. Dar vazão aos sentimentos de quem é alvo ou quem pratica o bullying é uma experiência surpreendente: florescem atitudes de solidariedade dos outros colegas, que comungam de ideais e atitudes de respeito e senso de acolhida e de diálogo entre eles. Importante também é evitar o revide ou julgamento precipitado da parte de quem causa a opressão: ouvi-los em suas inquietações e experiências é muito importante, mais até que simplesmente punir ou reprimir – criam-se assim condições para todos amadurecerem como sujeitos autônomos e responsáveis na escola e na sociedade em que vivem.  





 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Mesa redonda: 50 anos do golpe civil-militar

O estudo da história é algo fascinante: possibilita-nos conhecer épocas, culturas e valores cultivados por nossos antepassados e fatos que, de certo modo, permanecem influentes no tempo presente. Toda linguagem social herda elementos do passado: vocabulário, vestimentas, alimentos, modos de expressão dos costumes e tradições de um povo.

Uma oportunidade única, além do estudo, é poder ouvir o testemunho de pessoas que vivenciaram, pessoalmente, episódios marcantes da vida de um povo.

Os alunos da 3ª série do Ensino Médio desfrutaram dessa oportunidade: no dia 20 de maio, o Colégio Santo Agostinho recebeu os professores Apolo Heringer e Irles Carvalho, que atuaram em grupos de resistência à ditadura civil-militar que se instaurou no Brasil há 50 anos. Esse encontro integrou o projeto elaborado pelos professores de História e Língua Portuguesa, antecedido por leituras e estudos em sala de aula e pelo documentário "Duas histórias", que narra a história de Irles de Carvalho (e de Marco Meyer, que não pôde estar presente no debate), suas lutas, exílio e retorno ao Brasil. Um debate esclarecedor, rico em reflexões sobre o contexto histórico e social daquela época e cativante, por se tratar de histórias de vidas, sonhos e perdas, esperanças e sofrimentos que esses personagens experimentaram com intensidade em suas próprias biografias.

O estudo e a escuta desses testemunhos históricos se plenificam de sentido quando ampliam a compreensão e a consciência do que vivemos no presente. Assim, Apolo e Irles propuseram reflexões que certamente auxiliaram a formação da consciência política e social dos estudantes, possibilitando uma compreensão mais ampla dos desdobramentos e consequências daqueles fatos na história atual.


Projeto Tribunarte

  Tribunarte: um projeto que veio para ficar! Essa foi a sensação dos professores participantes e dos alunos do 9º ano do Colégio Santo Agostinho. Esse projeto consistiu, em sua primeira edição, na reflexão sobre o papel das câmeras de segurança nos espaços públicos : são um auxílio necessário para as políticas de segurança pública ou representam uma distorção ao legítimo direito à privacidade dos cidadãos?
            Idealizado pelo professor Jean Otoni, o projeto foi desenvolvido em diversas etapas e atividades. Previamente, os alunos estudaram textos que os municiaram de argumentos e informações a respeito do tema proposto. Organizaram-se dois grupos: os que defenderiam a utilização das câmeras e os que argumentariam contrariamente a esse uso, em vista do direito à privacidade. Foram realizadas atividades diversas que compuseram o projeto:
  • "blitz literárias", com a confecção de materiais com frases e pensamentos;
  • abaixo-assinados, em que os estudantes puderam colher a impressão dos seus colegas de outras séries e também dos funcionários da escola a respeito do tema;
  • confecção de logotipos e pôsteres informativos que movimentaram toda a escola em torno do assunto.
            E, enfim, o esperado dia do debate (21 de maio), organizado com muita seriedade, regras bem elaboradas e claras, e a exposição do tema pelos debatedores e as discussões levantadas em torno da temática.
            A finalidade do projeto consistia no exercício correto da linguagem padrão, na construção de argumentações coerentes que constituíssem uma continuidade lógica ao tema (sem desviar dos assuntos em pauta) e o desenvolvimento do discurso oral, utilizando-se dos recursos linguísticos adequados.
            Após a execução do Hino Nacional foram apresentados pelas turmas os hinos cantados em forma de paródia ou composições próprias; os presidentes de turma compuseram a mesa, junto à Comissão Técnica e os respectivos debatedores deram início aos trabalhos.
            Com rigor nos aspectos formais e seriedade nos procedimentos, as discussões foram bem conduzidas pelo professor Jean Otoni, o presidente da Tribuna. Era notável o trabalho de preparação dos alunos, que dispunham de textos, dados, gráficos e outras informações que os auxiliaram na hora de construírem ou rebaterem os argumentos em pauta.
            Segundo uma das célebres frases de Sócrates, "uma vida irrefletida não vale a pena ser vivida"! Os alunos do 9º ano assumiram com grande sentido e significado a sua reflexão, experimentando a arte da argumentação bem elaborada e do exercício democrático do diálogo num contexto de pluralidade de ideias. Seguindo critérios delineados previamente, as turmas ganhavam ou perdiam pontos.
        Quem ganhou, ao final? Todos ganharam! Todos os envolvidos estão de parabéns por essa iniciativa, mostrando que a aquisição de conhecimentos, embora seja uma tarefa de árdua dedicação, pode ser construída numa atmosfera lúdica e criativa, transcendendo o fardo cotidiano do ato de estudar.









terça-feira, 8 de abril de 2014

Dia ANEC - Encontro das Escolas Católicas de MG






A equipe do Depas do Colégio Santo Agostinho, composta em 2014 por Jean Carlos, Antonia Malta e Wanderley Avelar participou do “Dia ANEC”, encontro organizado para confraternização entre as escolas católicas e reflexões sobre temas atuais. O tema abordado no dia foi o da “Formação da consciência política da juventude”, contando com as reflexões e palestras dos prof. Shirley Rezende (Observatório da Juventude da UFMG) e do prof. Jamil Curi (UFMG).

A prof. Shirley trouxe uma série de informações a respeito dos novas formas de participação e intervenção política dos jovens, que se intensificaram a partir dos movimentos de rua em 2013. Um dos aspectos novos e interessantes apresentados refere-se ao fato de que o ativismo juvenil hoje é bem distinto, envolvendo iniciativas culturais (música, dança, teatro), formas de protesto bem humoradas e festivas e muita agilidade por meio das redes sociais e do ciberativismo. Há também o que se denomina de “coletivos urbanos”, redes de grupos que se dedicam a causas específicas em relação aos problemas das cidades: transporte, moradia, violência, cidadania etc. Uma das características marcantes desses movimentos é sua fluidez e um modelo de engajamento menos rígido e mais plural. Um dado importante para a reflexão das escolas católicas: cerca de 43% desses jovens ativistas são oriundos ou tem ligação com atividades e instituições de cunho religioso! Sua organização preza pela horizontalidade (sem hierarquias estabelecidas, abrindo espaços igualitários de participação), autonomia e autogestão. Uma das questões recorrentes abordadas por esses coletivos urbanos diz respeito à violação aos direitos humanos a que são submetidas, particularmente, as populações de jovens no Brasil e na região metropolitana de Belo Horizonte. 


O prof. Jamil esboçou, em suas reflexões, a questão do projeto de democracia no atual estágio da história brasileira: vivemos numa sociedade democrática, política e socialmente falando, porém essa democracia não é plena; embora as conquistas sociais da última década sejam importantes e cruciais, ainda são incompletas e precisam se consolidar. Essa é uma chave de leitura para se compreender os atuais movimentos e reivindicações nas ruas: as conquistas sociais nos levam a outro patamar. A população, por meio da distribuição de renda, consegue maior acesso aos bens de consumo, moradia, saúde, educação, lazer etc. Agora, nesse novo patamar, se amadurece a consciência de cidadania: desejamos acesso aos bens sociais, mas desejamos isso com qualidade: bom transporte, boas escolas, bom atendimento médico, saneamento, etc.




 Há reflexos dessa incompletude na própria forma de se organizar das escolas e na sua relação com os jovens. E a escola, como se posiciona diante dessas questões? O prof. Jamil aponta que as escolas são importantes espaços de troca de ideias e aprendizagem, interação e experiência de valores entre os jovens. Contudo, ainda estão pouco abertas às atividades que vão além dos conteúdos formais, pouco abertas às novas tecnologias e novas maneiras de pensar e se organizar da juventude: sua organização ainda é verticalizada, hierárquica, pouco propícia ao diálogo! As mudanças apontam para um lado, mas a escola parece caminhar para o lado oposto! O grande desafio, pois, é articular a escola e as “novas juventudes”. Como fazer e conseguir isso?

Ao longo do debate com ambos os professores, algumas pistas de ação e reflexão foram apontadas: ser jovem e ser estudante não é algo inconciliável! O jovem contemporâneo tem sede de cultura, lazer, participação, agremiação, enfim, de participar da sociedade. A escola pode ser um ótimo espaço para essa aprendizagem, auxiliando-os a desenvolver suas habilidades discursivas, de convivência e respeito à pluralidade, construindo iniciativas de liderança e convívio na esfera pública. Que assim seja!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Grêmio estudantil: participação e dinamismo na escola



“Reconhecer o adolescente e o jovem, não como problema,
mas como parte da solução, é meio caminho andado...”
 Antonio Carlos Gomes da Costa


               Em março acontecerá a eleição do novo Grêmio Estudantil do Colégio Santo Agostinho de Contagem. O processo de escolha é precedido por muita troca de ideias, escuta entre os colegas, composição das chapas e suas propostas. Nessas conversas, a principal pergunta é: para quê serve o Grêmio, o que ele pode fazer na escola? Perguntas que nos situam no campo da utilidade, das práticas e fazeres do grupo.
               Essas perguntas são importantes, pois ajudam a organizar propostas e perceber os campos de atuação do Grêmio Estudantil. Contudo, há outra pergunta que vai além dessas: o quê ele é?  Essa pergunta nos situa no campo do significado do Grêmio.
               Toda escola possui uma visão pedagógica que fundamenta o seu modelo de educação: todas priorizam a qualidade acadêmica do ensino, com suas disciplinas e conteúdos desenvolvidos em salas de aulas, projetos interdisciplinares, trabalhos extraclasse. Há aquelas que privilegiam um modelo centrado nos conteúdos a serem estudados; há outras que buscam o equilíbrio entre a excelência acadêmica e a formação humanista: nessas, o bom estudante não é considerado apenas pelas notas que alcança, mas também por suas atitudes, valores, participação e contribuição para o ambiente escolar como um todo. As atividades propostas pela escola não são voltadas apenas para o acúmulo dos saberes e das informações, mas auxiliam os estudantes a desenvolverem diversas habilidades: culturais, vivenciais, artísticas, éticas, comunicativas, consciência política e autonomia.
               Numa sociedade plural e democrática, essas opções são construídas em constante diálogo entre a direção escolar, as famílias e estudantes que fazem parte desse universo.
               Assim, o Grêmio Estudantil assume uma importante função: ele se torna um canal de comunicação entre os estudantes, se torna uma voz para o seu grupo. É capaz de repercutir os valores e anseios dos estudantes que representam. Torna-se, também, ouvidos: exercita a arte da escuta, busca consensos, capta os objetivos e intuições necessárias que auxiliam a caminhada do grupo, aponta opções e caminhos novos. É nesse diálogo constante que se constrói uma autêntica liderança. Quando uma escola proporciona aos alunos organizarem um Grêmio Estudantil, ela está indicando que os estudantes fazem parte e também são protagonistas no seu processo de desenvolvimento, pois dinamizam a construção da sua própria visão educacional. Por isso, as lideranças mais promissoras são aquelas que conseguem dar sustentação a ações transformadoras, que desencadeiam processos de mudança e melhoria em seu ambiente.
               Na prática, o Grêmio se organiza de acordo com um planejamento prévio, preparado pelos próprios membros que o constituem. Não há, necessariamente, uma sobrecarga de atividades, que comprometam ou dispersem os estudantes de seu compromisso habitual com os estudos. No exercício de suas funções, contam com o apoio e auxílio dos diversos segmentos que compõem a escola: a direção, supervisão, professores, departamentos de pastoral e assistência educacional (Pró-alunos).
               Que a escolha do Grêmio 2014 reflita bem o ambiente educacional que vivenciamos e que ele se torne uma presença criativa, dinâmica e acolhedora para todos os estudantes do colégio!