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quinta-feira, 6 de março de 2014

Quaresma e Campanha da Fraternidade 2014






TEMA: Fraternidade e tráfico humano.
LEMA: “É para liberdade que Cristo nos libertou” Gl 5,1

               É inerente ao ser cristão o permanente processo de conversão; converter é mudar. Mudar o olhar, atitudes, pensamentos, conceitos e “caminhos” ainda que permaneçamos nas mesmas trilhas, mas mudando o jeito de caminhar.
               Muito se fala que a quaresma é tempo de mudança e conversão, o que não está errado, porém essas atitudes devem ser permanentes. Devem ser um comportamento constante na vida do Cristão.
               Quando Cristo nos fala em Jo 10,10 que o motivo de Sua vinda ao mundo foi (e é) para que todos tenham vida PLENA, ele nos deixa esse mandato para que tenhamos essa referência em nossa existência.
               Portanto, toda e qualquer situação em que a vida em todos os seus sentidos deixe de acontecer, estará ali uma realidade que clama a exigência de que o cristão se faça presente, denuncie e anuncie em nome do evangelho tal situação, empenhando-se para a extinção da mesma.
               Nesse sentido, a Campanha da Fraternidade é um instrumento especial que nos possibilita e nos impele a esse processo de comprometimento com a causa pela vida que brota de maneira definitiva na Ressurreição de Jesus.
               Nesse ano de 2014 o convite que nos chega da Campanha da Fraternidade é o de refletir e envidar esforços diante da triste questão do tráfico humano. O texto base nos aponta que o tráfico humano...

       Fatura cerca de 32 bilhões de dólares/ano;
       É o 2º ou 3º crime mais rentável do planeta;
       Em 2012 a OIT citou a existência de 20,9 milhões de vítimas no mundo, em trabalho escravo e exploração sexual;
       Mulheres e jovens representam 11,4 milhões ou 55% das vítimas;
       Os adultos são os mais afetados 15,4 milhões ou 74%;
       9,1 milhões ou 44% são aliciados ao migrarem.

               E por que essa é uma questão contra a qual devemos nos empenhar?      
             
              Ainda conforme o texto base:
 
        É para a liberdade que Cristo nos libertou (Gl 5,1)
       Diante da grandeza de sermos filhos e filhas de Deus é inaceitável que a pessoa seja objeto de exploração ou de compra e venda. É uma negação radical do projeto de Deus para a humanidade.
       O Antigo testamento tem como fio condutor a libertação da pessoa humana e a Aliança entre Deus e seu povo.


Assim, o texto base propõe entre outras ações que:

        A Igreja é chamada a dar uma resposta de amor (I Jo 4,19), por meio dos discípulos missionários, às situações que atentam contra a dignidade dos pequeninos e injustiçados, a exemplo das vítimas do tráfico humano.
        O tráfico humano não é somente questão social, mas, também, eclesial e desafio pastoral.

Diante do quê, podemos e devemos concluir:

        Em face de um crime que clama aos céus, como o tráfico humano, não se pode permanecer indiferente, sobretudo os cristãos.
        A Conferência de Aparecida reafirmou à Igreja latino-americana que sua missão implica necessariamente advogar pela justiça e defender os pobres, especialmente em relação às situações que envolvem morte.
        Que esta Campanha da Fraternidade suscite, com as luzes do Espírito de Deus, muitas ações e parcerias que contribuam para a erradicação da nossa sociedade dessa chaga desumanizante, que impede pessoas de trilharem seus caminhos e crescerem como filhos e filhas de Deus. Afinal, foi para a liberdade que Cristo nos libertou.
        A Virgem das Dores, que amparou seu Filho crucificado, faça crescer entre os cristãos e pessoas de boa vontade a solicitude pelos irmãos e irmãs explorados cruelmente pelo tráfico humano.

               Vivenciemos, portanto, uma vida cristã que, nesse período quaresmal, nos estimule de modo especial à mudança, conversão e solidariedade com os que mais sofrem.


Wanderley Avelar
Agente de Pastoral - Depas


terça-feira, 4 de março de 2014

Carnaval: alegria, gratidão e solidariedade.



            A festa do Carnaval aponta para tempos remotos, muitos séculos antes do surgimento e da hegemonia da religião cristã no ocidente. Estudiosos afirmam significados diversos para a palavra, mas um consenso diz que o Carnaval era a celebração da época de colheitas no hemisfério norte e, em tom de alegria e festejo, as pessoas saíam às ruas para comemorar a fartura e o êxito dessas colheitas, que garantiriam os suprimentos necessários para as demais estações dos anos. Num universo politeísta, a festa era um modo de agradecer aos deuses pelo bom fruto das sementes.
               Já na era cristã, o carnaval antecedia a Quaresma, período em que se abolia o uso da carne e práticas de jejum e interioridade (oração) eram incentivadas como modo de se viver a fé. De origens bíblicas, essas práticas, junto com a prática de doar esmolas aos mais empobrecidos formavam o tripé da espiritualidade quaresmal.
               Como resgatar o sentido dessas práticas no mundo contemporâneo? Hoje, falar de jejum e esmolas parece algo antiquado e mesmo equivocado – esmolas são mal vistas, quando consideradas como mero assistencialismo que não promove uma transformação autêntica de vida para os empobrecidos, que lutam por uma vida digna e condições materiais justas para viver (moradia, saúde, alimentação).
               Hoje, a cultura moderna valoriza práticas e ações que deem sentidos à vida, para além dos formalismos ou repetições rituais e mesmo doutrinais. Importam as ações que atendam ao desejo e necessidade de realização e felicidade, mesmo quando não sabemos ao certo o que sejam esses conceitos. A modernidade, e nela especialmente a juventude, é surpreendentemente aberta à solidariedade: os jovens gostam de participar de campanhas, voluntariado, ações de cunho social e promoção da dignidade humana. Há uma “sede” do infinito, do transcendente, enfim, de Deus, mesmo que não se vincule necessariamente esse desejo a uma vivência comunitária ou institucional (igreja). E somos marcados por uma cultura festiva, festeira: mesmo conscientes de nossas mazelas, festejamos e confraternizamos, partilhando e vivenciando momentos de humor e companheirismo, resgatando tradições, músicas e costumes de nossos antepassados (vide o ressurgimento e popularização das marchinhas de salão). Muitos viajam, tem um contato maior com a natureza, o campo, paisagens às quais nos distanciamos no cotidiano de nossas cidades.
               Que possamos, enfim, beber nas fontes originais dessa festa, resgatando a gratidão pelos bons frutos do nosso trabalho, reconhecendo nele não apenas a realização de projetos pessoais, mas também sua contribuição para a vida e o crescimento das pessoas; vivenciando uma espiritualidade que nos alimente a vida interior, ao mesmo tempo em que nos estimule à generosidade e à solidariedade com o próximo.
               E, como muitos dizem que no Brasil o ano só começa mesmo após o carnaval, que tenhamos todos um 2014 pleno de realizações, alegrias e generosidade, com o coração aberto para um ano que exigirá de nós muitos esforços, mas nos oferecerá, por contraparte, a oportunidade de criarmos coisas novas, belas e que preencham de sentido a nossa vida.  


Bom Carnaval a todos!
Muita alegria, descanso e lazer!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Grêmio estudantil: participação e dinamismo na escola



“Reconhecer o adolescente e o jovem, não como problema,
mas como parte da solução, é meio caminho andado...”
 Antonio Carlos Gomes da Costa


               Em março acontecerá a eleição do novo Grêmio Estudantil do Colégio Santo Agostinho de Contagem. O processo de escolha é precedido por muita troca de ideias, escuta entre os colegas, composição das chapas e suas propostas. Nessas conversas, a principal pergunta é: para quê serve o Grêmio, o que ele pode fazer na escola? Perguntas que nos situam no campo da utilidade, das práticas e fazeres do grupo.
               Essas perguntas são importantes, pois ajudam a organizar propostas e perceber os campos de atuação do Grêmio Estudantil. Contudo, há outra pergunta que vai além dessas: o quê ele é?  Essa pergunta nos situa no campo do significado do Grêmio.
               Toda escola possui uma visão pedagógica que fundamenta o seu modelo de educação: todas priorizam a qualidade acadêmica do ensino, com suas disciplinas e conteúdos desenvolvidos em salas de aulas, projetos interdisciplinares, trabalhos extraclasse. Há aquelas que privilegiam um modelo centrado nos conteúdos a serem estudados; há outras que buscam o equilíbrio entre a excelência acadêmica e a formação humanista: nessas, o bom estudante não é considerado apenas pelas notas que alcança, mas também por suas atitudes, valores, participação e contribuição para o ambiente escolar como um todo. As atividades propostas pela escola não são voltadas apenas para o acúmulo dos saberes e das informações, mas auxiliam os estudantes a desenvolverem diversas habilidades: culturais, vivenciais, artísticas, éticas, comunicativas, consciência política e autonomia.
               Numa sociedade plural e democrática, essas opções são construídas em constante diálogo entre a direção escolar, as famílias e estudantes que fazem parte desse universo.
               Assim, o Grêmio Estudantil assume uma importante função: ele se torna um canal de comunicação entre os estudantes, se torna uma voz para o seu grupo. É capaz de repercutir os valores e anseios dos estudantes que representam. Torna-se, também, ouvidos: exercita a arte da escuta, busca consensos, capta os objetivos e intuições necessárias que auxiliam a caminhada do grupo, aponta opções e caminhos novos. É nesse diálogo constante que se constrói uma autêntica liderança. Quando uma escola proporciona aos alunos organizarem um Grêmio Estudantil, ela está indicando que os estudantes fazem parte e também são protagonistas no seu processo de desenvolvimento, pois dinamizam a construção da sua própria visão educacional. Por isso, as lideranças mais promissoras são aquelas que conseguem dar sustentação a ações transformadoras, que desencadeiam processos de mudança e melhoria em seu ambiente.
               Na prática, o Grêmio se organiza de acordo com um planejamento prévio, preparado pelos próprios membros que o constituem. Não há, necessariamente, uma sobrecarga de atividades, que comprometam ou dispersem os estudantes de seu compromisso habitual com os estudos. No exercício de suas funções, contam com o apoio e auxílio dos diversos segmentos que compõem a escola: a direção, supervisão, professores, departamentos de pastoral e assistência educacional (Pró-alunos).
               Que a escolha do Grêmio 2014 reflita bem o ambiente educacional que vivenciamos e que ele se torne uma presença criativa, dinâmica e acolhedora para todos os estudantes do colégio!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Catequese Familiar 2013 - rumo a uma nova etapa


No dia 28 de outubro, uma turma dos alunos da Catequese Familiar celebrou a sua 1ª comunhão eucarística. Momento festivo para eles e seus familiares, que participaram da celebração com emoção e fé.

Parte da preparação para a comunhão eucarística, e que deixou muitos apreensivos, foi a confissão, celebrada no sacramento da reconciliação. Apreensivos porque era a primeira vez que muitos estavam diante de um padre, confidenciando suas faltas, fraquezas pessoais e omissões. Mas, sobretudo, uma experiência de leveza, ao vivenciarem, por meio do diálogo com o padre, aquilo que a fé nos aponta: Deus é como pai e mãe – amoroso e paciente (na compreensão e perdão das nossas faltas e fraquezas), embora exigente (pois sabe que somos capazes de superar nosso comodismo e atitudes egoístas).


A todas as famílias, fica agora o desafio: continuar proporcionando aos filhos novas oportunidades para amadurecerem a fé. A esse respeito, a diretora do colégio, Aleluia Heringer, dedicou uma breve reflexão aos alunos e seus familiares – ao amadurecerem sua fé, cabe agora a pergunta: como traduzi-la em atitudes e gestos? Afinal, como apontou o evangelho do dia (Mc 6, 30-46), Jesus sentiu compaixão daqueles que sentiam fome e, dessa compaixão, inspirou da comunidade um gesto concreto: a partilha dos pães. Portanto, se em nossa vida cotidiana (no colégio, em casa, na comunidade), soubermos traduzir a fé em gestos e atitudes reais, seremos agentes de transformação e de mudanças no mundo!

A celebração foi marcada pela participação massiva dos familiares e amigos dos catequizandos e por uma bela e sincera homenagem dos pais ao catequista Maicon, que acompanhou e coordenou os encontros ao longo do ano.


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Pessoas mortas nas ruas: quem se importa?

Eu acredito que um lugar e um povo não são definidos e julgados
apenas pelos seus feitos e conquistas, mas também
pela sua compaixão e pelo seu sentido de justiça.
No futuro, será nessa fronteira que todos nós seremos postos à prova.
(Bruce Springsteen)
 
            O dólar aumenta, o embaixador é demitido, o bilionário perde sua fortuna, juízes reivindicam aumentos de salários, times ganham e perdem partidas nos campeonatos. Celebridades casam e descasam ou saem às compras com seus “pets” perfumados e bem enfeitados.
            Invariavelmente, são essas as manchetes que ocupam as capas de jornais e os assuntos em muitas conversas à frente das TVs, em bares ou nos intervalos de descanso nas empresas em que trabalhamos. Esses assuntos se tornam a pauta no dia a dia, tanto nos meios de comunicação, como em nossos corações e mentes.
            Entretanto, um fenômeno estudado recentemente pelos sociólogos refere-se à invisibilidade social: diz respeito às pessoas ou grupos sociais desprovidos de reconhecimento no seio das relações sociais. Embora existam de fato, na prática são relegados à irrelevância – quase como se não existissem, como se invisíveis fossem.
            A invisibilidade social atinge várias categorias profissionais: são garis, faxineiros, garçons, catadores de papel e outras categorias que, embora exerçam importantes tarefas na complexa teia que compõe a vida de uma sociedade, não são reconhecidos, em geral, como sujeitos, isto é, como pessoas em si mesmas, mas como meros “elementos operacionais”, peças de uma engrenagem, facilmente substituíveis.
            Outra categoria invisível aos olhos de muitos é a dos moradores de rua: mendigos, crianças nas praças e semáforos, andarilhos, pedintes. Embora invisíveis, existem – e existindo, têm histórias para contar! O que os levou às ruas? Como se sentem? Têm sonhos e desejos a realizar?
            Geralmente, são chamados de “marginais”, ou seja, estão às margens do nosso convívio social. Mas, e entre eles, como se dá o convívio? Quais margens se estabelecem – solidariedade, respeito, violência, normas e regras...? Como satisfazem suas mais básicas necessidades humanas (fisiológicas, afetivas, espirituais)? Para sabermos disso, precisamos, também, romper as nossas margens: preconceitos, medo, indiferença, insensibilidade...
            Estima-se que a população de rua em Belo Horizonte é composta por cerca de 2000 pessoas. Nos dois últimos anos, 100 pessoas moradoras de rua foram mortas em situações diversas. Em Goiânia, somente no primeiro semestre deste ano, mais de 60 pessoas moradoras de rua foram assassinadas. Entre 2008 e 2012 foram registrados 530 incêndios em favelas de São Paulo, segundo dados do Corpo de Bombeiros daquela cidade. Como isso repercutiu em nossa sociedade? Quais mudanças aconteceram, quais medidas estão sendo tomadas? Ainda estamos no campo da invisibilidade...
            O Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos da População em Situação de Rua e Catadores de Material Reciclável – CNDDH alerta e denuncia que essas mortes não são aleatórias. Há uma questão silenciosa, que acoberta e explica muito a realidade atual: a exploração imobiliária e a concorrência virulenta entre as empresas do ramo que disputam a propriedade dos terrenos vagos nos grandes centros urbanos. Segundo Frei Gilvander, num texto publicado em 2012, o depoimento do Sr. Luiz Vida, colhido pelo jornalista Pedro Rocha (do E. Minas) ilustra bem essa situação:
 
“O termo ‘morador de rua’ não condiz com a verdade”, diz. “As ruas são ocupadas pelos carros, não há espaço para outros, somos como os extraterrestres. Viemos para invadir um terreno ocupado”, diz Luiz, que sabe o incômodo que representa para o “resto da população”.
 
                Nesse contexto, o CNDDH denuncia a chamada “política higienista” em voga nas grandes cidades: restringem-se cada vez mais as possibilidades de as pessoas se alojarem nos passeios e praças – um caso emblemático foi o da prefeitura de Belo Horizonte, que em 2012 inaugurou um novo padrão de construção de viadutos, colocando estruturas de pedras disformes, que impedem qualquer pessoa, por exemplo, de dormir ali. Há denúncias de que agentes públicos, junto com a polícia militar, durante as madrugadas, passam pelas ruas recolhendo e retirando dessas pessoas os seus cobertores, remédios e pequenos pertences. O CNDDH lembra que há um Decreto Federal que regulamenta as Políticas Públicas para as pessoas nessas condições, e que no alicerce dessas políticas prevê-se o resguardo da dignidade das pessoas. A atual situação em grandes centros urbanos no país mostra a evidência de um verdadeiro extermínio dos moradores de rua.
            Um extermínio silencioso, que não muda em nada as nossas vidas cotidianas.
            Um extermínio gritante, pois denuncia que as nossas vidas estão cada vez mais entorpecidas pela indiferença diante do pobre, do pequeno, do desvalido. Enquanto isso, continuamos a nos preocupar com os celulares, os placares dos jogos e das vidas frívolas das “celebridades”...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Alunos do Colégio Santo Agostinho - Contagem visitam crianças no Hospital da Baleia

O projeto pastoral do Colégio Santo Agostinho privilegia atividades que envolvam os alunos em iniciativas de voluntariado. Organizamos trabalhos continuados com pequenos grupos, que visitam e atendem creches e instituições de promoção social com públicos que vão desde crianças até idosos. Essas visitas são regulares e o trabalho voluntário possui um cunho formativo: nele, os alunos aprendem a trabalhar em equipe, organizar atividades educativas e recreativas, avaliar o trabalho feito e se programar para novas atividades. O voluntariado, portanto, no âmbito da formação dos alunos, se insere como uma prática de cidadania e de formação humana. Não é, portanto, uma ação assistencialista, embora envolva, também, campanhas e doações de alimentos, roupas e utensílios diversos.


  

            A proposta do voluntariado cativa muitos alunos, que desejam fazer parte desses grupos e ações. Pensando, pois, em abrir as portas para um número maior de participantes, promovemos algumas atividades esporádicas, que possibilitam a muitos alunos que não podem se engajar em grupos ordinários a, ao menos, fazer a experiência de uma visita ou participar de alguma ação específica.
            Após o recesso do julho, um pequeno grupo de alunos do 2º ano do Ensino Médio organizou, por iniciativa própria, uma visita ao Hospital da Baleia, com o intuito de passar a tarde com crianças em tratamento de câncer. Munidos de fantasias, brincadeiras, muito senso de solidariedade, conversaram, cantaram e divertiram as crianças e seus familiares, numa mostra de como é importante e gratificante dedicar-se ao bem do próximo. Seguem, abaixo, fotos e relatos dessa experiência.
 
“É bom demais fazer o bem, todos tinham que ver o rosto das crianças quando a gente chegava. Quando eu via o sorriso no rosto daquelas crianças, mesmo naquela situação, muitas com câncer e tumores graves e paralisias, ainda conseguirem sorrir com apenas algumas palhaçadas e bolhas de sabão, não existia nada mais gratificante e recompensador, foi a melhor coisa do universo. Inexplicável a sensação de fazer sorrirem aquelas crianças que só precisam de apoio e de um sorriso no rostinho. Essas crianças são verdadeiras guerreiras, pois a cada dia que passa vencem uma batalha. Aprendi muito, cada vez que fizemos vocês sorrirem, ganhamos o nosso dia! Deus abençoe cada uma de vocês.” (Vinicius Ribeiro)
 
“O segredo é fazer tudo com o coração, sem esperar recompensas ou reconhecimento de ninguém! Deixe a vaidade de lado e faça tudo com amor”! (Virgínia Braga)
 
Tornar real a alegria que muitas crianças daquele hospital sonhavam por algum momento me fez perceber que pequenas atitudes podem, sim, mudar a vida de uma criança, torná-la mais confiante em si, para ter mais força para lutar contra a doença. A visita ao Hospital da Baleia fou uma experiência abençoada, única e inesquecível”. (Mariana Bessas)
 
“Foi uma tarde muito prazeroza, não esperava que uma atitude tão simples pudesse fazer tão bem! O sorriso de cada criança foi a melhor recompensa que poderia ter, é uma gratificação muito grande e, com certeza, faremos de novo!” (Vittoria Pedrosa)
 
“Chegar a um ambiente onde, na maioria das vezes, se vê muita tristeza e saber que somente com a presença amiga e simples gestos e brincadeiras, podemos mudar o dia e renovar as forças daqueles que ali estão não tem preço! A alegria e emoção são inexplicáveis. Atitudes assim não nos custam nada, a não ser reservar uma pequena parte do nosso tempo e nos entregarmos de alma e coração a eles”. (Bruna Sampaio)
 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

História de Santo Agostinho

Caros leitores, vejam que belo vídeo sobre a história de Santo Agostinho as crianças da Escola Santo Agostinho de Bragança Paulista produziram.

Médicos estrangeiros no Brasil

“Logo que, numa inovação, nos mostram alguma coisa de antigo, ficamos sossegados." (F. Nietzsche)
 
            É reação muito comum às pessoas que, diante de algo desconhecido, sobrevenham anseios, temores e a dificuldade de lidar com o novo que se apresenta. E isso se dá não apenas em âmbito individual: grupos sociais e mesmo nações hesitam diante de fenômenos que representem uma ruptura dos seus costumes já enraizados nas mentes e corações da cultura de um povo.
 
            Com a distância dos tempos, alguns episódios são, inclusive, relidos com um tom de humor. Na primeira década do século XX, em 1904, um episódio conhecido como a “revolta da vacina” ilustra bem essa realidade: diante de uma situação de precário saneamento público e vendo o avanço da varíola no Rio de Janeiro, o sanitarista Oswaldo Cruz foi designado para implementar um plano de ações que pudessem combater a doença. Entre elas, o governo do Rio decretou uma vacinação obrigatória na população, que se revoltou e foi às ruas protestar. Em meio a diversos boatos, a população se recusava a ser vacinada, com medo de que aquela vacina pudesse lhe causar outros males piores que a varíola!
 
            Nesses dias, os jornais vêm noticiando um fato que guarda alguns pontos de semelhança com aquela “revolta das vacinas”: o programa Mais Médicos e a vinda de médicos estrangeiros, sobretudo cubanos, para trabalharem no Brasil.
 
         
          Muitas informações têm sido divulgadas, várias com posicionamentos ideológicos contrários ou favoráveis à vinda desses médicos. Irônico, no entanto, é perceber que, no emaranhado de informações diárias, há uma sensação de enorme desinformação a respeito do que significa esse programa e a vinda desses profissionais.
 
            Temos ciência de que o atendimento médico e hospitalar no Brasil, embora caminhe a passos lentos em direção a melhorias, ainda é muito precário: nos grandes centros urbanos, há médicos, estruturas e equipamentos em número insuficiente na rede pública. Os planos particulares de saúde, cada vez mais caros, também são cada vez mais ineficientes, à medida que um maior número de pessoas consegue ter acesso a eles. Nas pequenas cidades do interior, há demandas por estruturas adequadas e principalmente por médicos e profissionais da área de saúde para atender a população.
 
            O Programa Mais Médicos consiste num “pacote” de ações que visa mudar tal situação. Prevê mais verbas para a área de saúde, renovação de estruturas e equipamentos e oferece subsídios para que os médicos brasileiros atuem em áreas que sofrem pela escassez desses profissionais. É um programa que envolve a ação política nas 3 instâncias de governo: municipal, estadual e federal.
 
            Na primeira fase desse programa, o número de médicos que se inscreveram para trabalhar em áreas interioranas foi insuficiente. Daí a iniciativa do governo federal em abrir as vagas remanescentes para médicos estrangeiros.
 
            Essa decisão representa algo de novo para os brasileiros. Indica uma direção nova no modo de lidar com o problema da escassez de profissionais em determinadas regiões do país. Por si só, é insuficiente, mas já é um passo na direção de suprir demandas e déficits que se prolongam por décadas.
 
            Contudo, tal iniciativa governamental causou alvoroço nas categorias que atuam nas áreas de saúde, polemizando em torno da efetividade dessa ação. A mídia deu voz às polêmicas, ampliando-as e trazendo ainda maior confusão e desinformação para o debate.
 
            A chegada dos primeiros médicos estrangeiros foi saudada com um assustador preconceito: médicos brasileiros buscaram todo tipo de argumento para repudiar os “colegas” estrangeiros, associações e cooperativas de médicos vaiaram e insultaram à vontade. Houve uma jornalista que afirmou que “as médicas cubanas tinham aparência de empregadas domésticas”!!!
 
            É claro que as manifestações a respeito não foram apenas de repúdio. No primeiro dia em que esses médicos passaram pelo curso de habilitação para trabalharem no Brasil, outros colegas os receberam com flores em sinal de desagravo, mostrando que podemos, sim, ser um povo educado e acolhedor, que consegue enxergar além das filiações ideológicas e partidárias.
 
            Em meio a toda essa história, dados foram pesquisados, números e cifras foram colocados nos debates e nas planilhas e manchetes de jornais. Faltou, contudo, o mais importante: olhar para o ser humano.
 
            O primeiro ser humano em questão é o próprio médico que chega ao Brasil. Esses médicos, cubanos e de outras nacionalidades, não vêm ao Brasil com a pretensão de enriquecer ou fazer carreira aqui, muito menos ocupar o lugar dos médicos brasileiros. São pessoas e profissionais que trazem consigo um ideal de vida, um propósito e um valor: a solidariedade com o ser humano. E isso não é algo novo e assustador: há médicos no mundo inteiro que trabalham dessa forma e que contribuem com povos que sofrem por demandas ainda mais graves que as brasileiras. Vide o exemplo de organizações tais como os “Médicos sem fronteiras”, Cruz Vermelha e outras.
 
            Embora seja a primeira vez que um governo brasileiro recrute, via acordos internacionais, a vinda de médicos estrangeiros, isso não representa novidade alguma. A Organização Pan-americana de Saúde (a entidade de saúde mais antiga do mundo, fundada em 1902) coordena convênios como esses em 58 países! A própria ONU, por meio da OMS (Organização Mundial de Saúde) afirma que “são corretas as medidas de levar médicos, em curto prazo, para comunidades afastadas e de criar, em médio prazo, novas faculdades de medicina e ampliar a matrícula de estudantes de regiões mais deficientes, assim como o número de residências médicas. Países que têm os mesmos problemas e preocupações do Brasil estão colhendo resultados da implementação dessas medidas”. [1]
 
            O segundo olhar se direciona a outro ser humano: o paciente (criança, idoso, pai, mãe...) que, diante de uma enfermidade, necessita ser atendido, cuidado, acompanhado por um profissional. E há em nosso país, um contingente de milhões de pessoas que ainda não são atendidas dignamente, pois há um descaso histórico com a questão da saúde no Brasil. Para essas pessoas que moram nos centros e nas periferias do Brasil, pouco importa o sotaque ou nacionalidade de quem o atende. Para elas, o importante é a confiança, atitude fundamental na relação médico - paciente, a competência técnica e o conhecimento necessário que possa auxiliá-lo na doença e na fragilidade.
 
            Oxalá, daqui a algumas décadas, possamos olhar para os atuais episódios e relê-los com o mesmo tom de humor a respeito da “revolta das vacinas”, pensando: como éramos tolos no passado! Oxalá tenhamos em nosso país estruturas e médicos dignos e suficientes para as nossas pessoas.
Jean Carlos de Araújo Ferreira
Coordenador do Depas

[1] Comunicado da OMS, intitulado como “Programa Mais Médicos é coerente com recomendações da Organização Pan-Americana da Saúde” acessado em http://jornalggn.com.br/blog/onu-solta-comunicado-atestando-a-coerencia-do-programa-mais-medicos, com acesso disponível em 29 de agosto de 2013.