terça-feira, 19 de março de 2013
Promover a Vida através da Fraternidade, Educação e Justiça Social
Promover a Vida através da Fraternidade, Educação e Justiça Social
Este foi o lema vivenciado no DVA* realizado com os professores e funcionários do Colégio Santo Agostinho de Contagem nos dias 23/02 e 02/03, no Recanto Santo Agostinho, em Mário Campos/MG.
Durante a semana que antecedeu o DVA, vivemos a expectativa de um momento que é sempre muito significativo, pois apenas sabíamos de antemão que era preciso levar um tecido colorido ou algo similar no dia.
Num ambiente extremamente acolhedor, um café da manhã delicioso, uma equipe generosa e muitas surpresas nos aguardavam. Uma dinâmica leve e significativa abriu os trabalhos. Usando como pretexto a criação de uma escola de samba, o grupo se reuniu para abordar as características e demandas necessárias para se organizar realizar um desfile. Aspectos importantes puderam ser trabalhados naquele momento: conhecimento do grupo, senso de colaboração entre os participantes, percepção de lideranças, autonomia, trabalho em equipe, motivação, integração, criatividade, gestão do tempo, entre outros. O resultado foi ótimo. Alas coloridas, alegres, organizadas, “samba-enredo” de primeira, ensaio e desfile. E por que tudo deu certo? Porque ficou implícita em cada um a mensagem de que, se o trabalho em grupo é planejado, tudo funciona melhor, e o resultado certamente é positivo.
As reflexões após a atividade realizada foram muito importantes para se estabelecer o conhecimento do grupo e o lema trabalhado nas músicas ali criadas. Aprendemos um pouco mais do nosso local de trabalho, qual o nosso papel e importância enquanto colaboradores da instituição que nos acolhe, tomamos conhecimento dos valores que norteiam as inúmeras obras sociais dos padres agostinianos e o lema que as identifica. Foi interessante perceber a forte conexão existente com o que nos estimula a Plataforma Terráqueos: podemos e devemos nos tornar melhores seres humanos, expandir nossa generosidade, ampliar o olhar e o cuidado para com o outro, fazer algo pelas pessoas, pelo planeta e pelos animais, recuperar a confiança na cultura da ação coletiva.
Promover a Vida através da Fraternidade, Educação e Justiça Social – uma frase simples e forte, que representa, na verdade, a missão da Sociedade Inteligência e Coração, entidade mantenedora dos Colégios Santo Agostinho.
* DVA – Dia de Vivência Agostiniana, cujo ponto forte se dá na partilha de experiências, sentimentos, impressões que cada um traz consigo.
Texto de autoria de Sandra Medina Costa
Reconstrução da infância perdida no Haiti
Desde 2010 um grupo de 7 religiosas promove ação missionária permanente no Haiti, oferecendo apoio e solidariedade aos habitantes que sofrem, ainda hoje, os efeitos da pobreza e falta de estrutura do país, agravados pelo terremoto de 2010.
Junto à fome, acompanhamento médico escasso e falta de moradia, as irmãs relatam uma profunda ausência de perspectiva e esperança: são pessoas que deixaram de acreditar em seus sonhos, já que o terremoto significou, para muitas, o “fim da linha”. Perguntadas sobre seus projetos de vida, as pessoas respondem: ir embora.
Assim, uma das propostas do trabalho missionário das irmãs se orienta a resgatar a dignidade das pessoas, valorizar sua autoestima, reconstruir suas esperanças e projetos.
Um dos momentos marcantes desse trabalho está na “reconstrução da infância perdida”. Segundo o relato das irmãs,
“Em um país onde a população vive na miséria extrema, as fases do desenvolvimento humano não existem. Desde muito cedo os bebês, as crianças, adolescentes e juventude travam lutas constantes para poder sobreviver. Aqueles que chegam, chegam com marcas de todos os tipos de dor, sofrimentos, de traumas e sequelas.
Possibilitar momentos lúdicos, descontraídos, disponibilizar uma boneca, um carro, recuperar brincadeiras que elas na fase certa não tiveram a chance de vivenciar: estamos criando momentos reparadores. Ao disponibilizar um tempo para brincar de bonecas, percebemos nos primeiros encontros a dificuldade que elas/eles tem de brincar, pois bonecas e brincadeiras não são conhecidas para esta população. Pegam as bonecas e não sabem o que fazer, a maioria fica parada, outras rejeitam, outras ameaçam de bater e há quem bate nas bonecas.
Porém, à medida que repetimos à dinâmica, estimulamos, falamos da importância do brincar para o desenvolvimento do ser humano, para a superação do cansaço, do estresse, de ser uma ação reparadora, começam a manifestar seus sentimentos, descontrair, a criar laços de amizade entre os elas/es, passam a desenvolver as atividades com mais interesse, responsabilidade.
Acreditamos que, com a continuidade da formação, colheremos muitos frutos, pois através das dinâmicas utilizadas nas palestras, e momentos lúdicos, sentimos que, mesmo que carregando marcas profundas de sofrimento adquiridos ao longo da vida, demonstram interesse, leveza e alegria”.
Possibilitar momentos lúdicos, descontraídos, disponibilizar uma boneca, um carro, recuperar brincadeiras que elas na fase certa não tiveram a chance de vivenciar: estamos criando momentos reparadores. Ao disponibilizar um tempo para brincar de bonecas, percebemos nos primeiros encontros a dificuldade que elas/eles tem de brincar, pois bonecas e brincadeiras não são conhecidas para esta população. Pegam as bonecas e não sabem o que fazer, a maioria fica parada, outras rejeitam, outras ameaçam de bater e há quem bate nas bonecas.
Porém, à medida que repetimos à dinâmica, estimulamos, falamos da importância do brincar para o desenvolvimento do ser humano, para a superação do cansaço, do estresse, de ser uma ação reparadora, começam a manifestar seus sentimentos, descontrair, a criar laços de amizade entre os elas/es, passam a desenvolver as atividades com mais interesse, responsabilidade.
Acreditamos que, com a continuidade da formação, colheremos muitos frutos, pois através das dinâmicas utilizadas nas palestras, e momentos lúdicos, sentimos que, mesmo que carregando marcas profundas de sofrimento adquiridos ao longo da vida, demonstram interesse, leveza e alegria”.
(http://crbnacional.org.br/site/index.php/projetos-missionarios/haiti/214-haiti-trabalhando-a-infancia-perdida)
E foi com imensa alegria que recebemos a mensagem da irmã Márian, presidenta da CRB, junto com o vídeo registrando alguns momentos desse encontro. No sorriso de cada criança que ali aparece, compartilhamos o nosso agradecimento a todos que nos ajudaram e tornaram possível esse gesto fraterno e solidário.
Link para o vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=qZoZOPYBj4Y&feature=youtu.be
Link para o vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=qZoZOPYBj4Y&feature=youtu.be
![]() |
| Brincar e se divertir: o resgate da infância e da dignidade das crianças |
![]() |
| Grupo das irmãs missionárias que atuam no Haiti |
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Catequese Familiar 2013
Eucaristia é partilha, encontro. É a reunião dos fiéis em torno do altar fazendo memória a Cristo Jesus, que é a Revelação verdadeira dada a nós por Deus-Pai. Assim, quando nos reunimos nas celebrações da vida da Igreja, estamos cumprindo o pedido de que Jesus nos fez na última ceia: “Fazei isso em minha memória”!
A catequese é o momento de experimentarmos a eucaristia: o gosto pela partilha, pelo encontro, pela comunidade, pela pessoa de Jesus de Nazaré. Pensando nisso, nosso colégio optou por um modelo vivencial de catequese. Nossos encontros têm como objetivo dar a oportunidade para que os catequizandos e suas famílias experimentem o conteúdo da fé que, de tema em tema, vamos trabalhando.
Compreendemos que a catequese não se restringe ao momento do encontro apenas, mas se estende até o lar, tornando-se um passo importante para os participantes perceberem como os temas vivenciados estão presentes em suas vidas. Neste sentido, a catequese no colégio é chamada de “Catequese Familiar”: a família acompanha o processo catequético de seus filhos, ao mesmo tempo em que também se qualifica, se compromete e dá sentido à sua fé.
As inscrições para os novos grupos de catequese podem ser feitas na Recepção do Colégio, a partir do dia 18/02.
Neste ano, os encontros acontecerão às segundas-feiras, a partir das 17h45, na sala de Vivência (sala 241). O primeiro encontro será no dia 04/03. A duração do curso é de 2 anos. A primeira comunhão dos catequizandos acontecerá em setembro de 2014. É cobrada uma taxa anual de R$80,00 que será acertada na Tesouraria do colégio.
A catequese é o momento de experimentarmos a eucaristia: o gosto pela partilha, pelo encontro, pela comunidade, pela pessoa de Jesus de Nazaré. Pensando nisso, nosso colégio optou por um modelo vivencial de catequese. Nossos encontros têm como objetivo dar a oportunidade para que os catequizandos e suas famílias experimentem o conteúdo da fé que, de tema em tema, vamos trabalhando.
Compreendemos que a catequese não se restringe ao momento do encontro apenas, mas se estende até o lar, tornando-se um passo importante para os participantes perceberem como os temas vivenciados estão presentes em suas vidas. Neste sentido, a catequese no colégio é chamada de “Catequese Familiar”: a família acompanha o processo catequético de seus filhos, ao mesmo tempo em que também se qualifica, se compromete e dá sentido à sua fé.
As inscrições para os novos grupos de catequese podem ser feitas na Recepção do Colégio, a partir do dia 18/02.
Neste ano, os encontros acontecerão às segundas-feiras, a partir das 17h45, na sala de Vivência (sala 241). O primeiro encontro será no dia 04/03. A duração do curso é de 2 anos. A primeira comunhão dos catequizandos acontecerá em setembro de 2014. É cobrada uma taxa anual de R$80,00 que será acertada na Tesouraria do colégio.
Mais informações:
* Depas: Departamento de Evangelização, Pastoral e Ação Social
Tel.: 2103.0720 – depasct@santoagostinho.com.br
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Campanha da Fraternidade 2013
Nesta quarta-feira, dia 13 de fevereiro, será lançada oficialmente a Campanha da Fraternidade 2013. Seu objetivo é despertar a solidariedade dos cristãos e dos cidadãos em geral em relação a um problema concreto que envolve a sociedade brasileira, buscando caminhos de solução. A cada ano é escolhido um tema, que define a realidade concreta a ser transformada, e um lema, que explicita em que direção se busca a transformação. A primeira Campanha da Fraternidade foi realizada na arquidiocese de Natal em abril de 1962.
Neste ano, o tema será “Fraternidade e Juventude” e o lema “Eis-me aqui, envia-me!” (Is 6,8), que tem como objetivo geral acolher os jovens no contexto de mudança de época, propiciando caminhos para seu protagonismo no seguimento de Jesus Cristo, na vivência eclesial e na construção da vida, da justiça e da paz.
“A palavra juventude também vem de jovis”. Juventude não como qualidade de uma idade cronológica. Deveríamos compreender a juventude a partir da jovialidade. É jovem não aquele que tem idade nova, mas aquele que tem o vigor de Deus. Do Deus que alegra a nossa juventude. Do Deus que é a vitalidade do nosso ser. Jovialidade é o modo de ser próprio de Deus. É jovem a pessoa que se deixou tomar pelo modo próprio de Deus, pela força de Deus, pelo vigor de Deus: o amar sem medida, desmedidamente! (Cf. Texto base)
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Campanha em favor do Haiti: reflexão, ação e mobilização
Não é no silêncio que os homens se fazem,
mas na palavra, no trabalho, na ação e reflexão.
(Paulo Freire)
mas na palavra, no trabalho, na ação e reflexão.
(Paulo Freire)
Em 2010, um terremoto de grandes proporções acometeu o Haiti, desalojando milhares de pessoas de suas moradias. Uma situação de desamparo tomou conta da população que mora na região atingida pelo terremoto: sem casa para morar, sem atendimento médico adequado, sem emprego, sem abastecimento regular de água e alimentos, muitos haitianos se abateram sob o sentimento de desesperança. Para os que ainda têm algum recurso financeiro, a solução tem sido sair do país, imigrando em busca de melhores condições. Os que permanecem na região do terremoto, estão vivendo em acampamentos para desabrigados, debaixo de tendas e condições insalubres. Atualmente, há cerca de 500 acampamentos na cidade de Porto Príncipe, capital do país, totalizando aproximadamente 400 mil pessoas.
Se o terremoto foi um evento natural, suas consequências terríveis não se devem apenas à natureza. Historicamente, o país não conseguiu erguer uma infraestrutura necessária de transporte, saneamento, moradia para se constituir como uma nação política e socialmente autônoma. O Haiti, embora seja o primeiro país latino-americano a abolir a escravidão e o segundo a emancipar-se e declarar independência frente ao colonizador europeu, vem sofrendo desde então uma grave crise econômica e política. Americanos e europeus impuseram um embargo econômico ao país, como forma de retaliação à sua declaração de independência. Acordos internacionais obrigaram os haitianos a “indenizarem” a França com quantias vultosas de dinheiro, sob pena de novas retaliações. Condenou-se o país, desde então, à quase indigência. Conflitos internos e brigas pelo poder político agravaram ainda mais a situação de pobreza e falta de infraestrutura. É fácil entender que o terremoto encontrou o país despreparado para lidar com suas consequências.
A ONU organizou ajudas internacionais, mas muitas promessas não se concretizaram. O Brasil é um dos países que continuam atuando no Haiti, por meio de ações do governo, do exército, de igrejas e ONGs.
Como “cidadãos do mundo”, conectados às grandes questões dos tempos atuais, estudantes, professores e funcionários do Colégio Santo Agostinho e membros da Plataforma Terráqueos organizam, desde 2011, a Campanha contra o esquecimento. O intuito dessa campanha é conscientizar que os abalos sísmicos já passaram, mas as feridas abertas permanecem e as pessoas carecem de cuidados.
As ações e iniciativas dos alunos e membros do Colégio e da Plataforma Terráqueos se integram aos esforços que um grupo de irmãs religiosas brasileiras vem desenvolvendo naquele país. Nesse sentido, formamos uma rede de solidariedade, buscando dar sustentação a ações efetivas para a reconstrução da infraestrutura e da autoestima dos haitianos. Estamos inseridos num conjunto de ações que, por vezes, ficam no anonimato, pois, diferente da nossa proposta, a grande mídia já deixou o Haiti cair no esquecimento.
Uma das pessoas que despontaram nessa Campanha foi a irmã Márian Ambrósio, que capitaneia as atividades das irmãs em solo haitiano. Lá, uma série de iniciativas auxilia as pessoas a restabelecerem a esperança de dar a volta por cima. As irmãs estão conseguindo auxiliar os jovens na qualificação educacional e profissional, por meio de cursos técnicos e ocupacionais, organizando hortas coletivas que atendem a centenas de pessoas, mutirões para a construção de moradias populares, implantação da Pastoral da Criança, visando ao monitoramento da saúde e acompanhamento das crianças e famílias mais pobres.
Aqui, a Plataforma Terráqueos mobiliza nossos jovens estudantes: durante todo o ano letivo, iniciativas foram empreendidas, tendo em vista angariar fundos. Uma frase da irmã Márian sintetiza o significado dessas ações:
“Neste momento, o Haiti vive do nosso amor e da nossa solidariedade, mas não apenas os haitianos estão sendo beneficiados por meio desta campanha, realizada pelo Colégio Santo Agostinho: o Haiti também está ajudando vocês a se tonarem pessoas melhores, mais solidárias”.
A Campanha contra o esquecimento encontrou as portas das salas de aula bem abertas: é surpreendente como o terremoto, visto como um fenômeno natural e social, evoca uma série de conhecimentos das diversas ciências e áreas do saber: geografia, física, matemática, história, ensino religioso etc. Compreender que após 2010 terremotos de proporções semelhantes aconteceram em outras regiões do mundo, com consequências muito menos graves, nos ajuda a refletir sobre a verdadeira situação do Haiti e do seu povo.
Caminhando para o encerramento do ano letivo e da campanha em 2012, a professora de história Inez Grígolo e os estudantes dos 6º e 7º anos desenvolvem um projeto que une conhecimento, reflexão e ação. Revisitando a história e as origens daquele país, conseguem ler os fatos com maior consciência crítica. E isso lhes permite elaborar ações mais consistentes. Por exemplo: uma das iniciativas para angariar fundos foi uma “ação entre amigos”, que dará um Tablet como prêmio. Essa ação coincide com as comemorações do Dia das Crianças. Os estudantes optaram por uma ação solidária, em prol das crianças haitianas, como alternativa à mentalidade consumista tão onipresente nessas ocasiões. Valores como a generosidade e o trabalho em grupo inspiram os alunos, que se organizam para divulgar a campanha junto às suas famílias e comunidades.
O desejo de se alistarem a grupos de voluntariado é outro resultado dessa iniciativa. Mais de 15 alunos dessas turmas já procuraram se inscrever e participar de ações de voluntariado, nesse último mês. E isso nasce das reflexões em sala de aula e da consciência de que a realidade socioeconômica na região do Colégio também desperta o senso de conhecer a realidade local e se solidarizar com o próximo.
A esse respeito, partilhamos o belo depoimento da aluna Verônica Anita, do 7º ano:
“Sinto orgulho de participar dessa mobilização; sinto orgulho de dizer que faço a minha parte e sinto orgulho do meu colégio por incentivar, apoiar e tomar iniciativas como essa, auxiliando o Haiti nesse momento de dificuldade. Esse gesto do colégio pode parecer pequeno, se comparado ao tamanho do país, mas é grandioso para as crianças e pessoas que recebem a nossa ajuda”.
Se o terremoto foi um evento natural, suas consequências terríveis não se devem apenas à natureza. Historicamente, o país não conseguiu erguer uma infraestrutura necessária de transporte, saneamento, moradia para se constituir como uma nação política e socialmente autônoma. O Haiti, embora seja o primeiro país latino-americano a abolir a escravidão e o segundo a emancipar-se e declarar independência frente ao colonizador europeu, vem sofrendo desde então uma grave crise econômica e política. Americanos e europeus impuseram um embargo econômico ao país, como forma de retaliação à sua declaração de independência. Acordos internacionais obrigaram os haitianos a “indenizarem” a França com quantias vultosas de dinheiro, sob pena de novas retaliações. Condenou-se o país, desde então, à quase indigência. Conflitos internos e brigas pelo poder político agravaram ainda mais a situação de pobreza e falta de infraestrutura. É fácil entender que o terremoto encontrou o país despreparado para lidar com suas consequências.
A ONU organizou ajudas internacionais, mas muitas promessas não se concretizaram. O Brasil é um dos países que continuam atuando no Haiti, por meio de ações do governo, do exército, de igrejas e ONGs.
Como “cidadãos do mundo”, conectados às grandes questões dos tempos atuais, estudantes, professores e funcionários do Colégio Santo Agostinho e membros da Plataforma Terráqueos organizam, desde 2011, a Campanha contra o esquecimento. O intuito dessa campanha é conscientizar que os abalos sísmicos já passaram, mas as feridas abertas permanecem e as pessoas carecem de cuidados.
As ações e iniciativas dos alunos e membros do Colégio e da Plataforma Terráqueos se integram aos esforços que um grupo de irmãs religiosas brasileiras vem desenvolvendo naquele país. Nesse sentido, formamos uma rede de solidariedade, buscando dar sustentação a ações efetivas para a reconstrução da infraestrutura e da autoestima dos haitianos. Estamos inseridos num conjunto de ações que, por vezes, ficam no anonimato, pois, diferente da nossa proposta, a grande mídia já deixou o Haiti cair no esquecimento.
Uma das pessoas que despontaram nessa Campanha foi a irmã Márian Ambrósio, que capitaneia as atividades das irmãs em solo haitiano. Lá, uma série de iniciativas auxilia as pessoas a restabelecerem a esperança de dar a volta por cima. As irmãs estão conseguindo auxiliar os jovens na qualificação educacional e profissional, por meio de cursos técnicos e ocupacionais, organizando hortas coletivas que atendem a centenas de pessoas, mutirões para a construção de moradias populares, implantação da Pastoral da Criança, visando ao monitoramento da saúde e acompanhamento das crianças e famílias mais pobres.
Aqui, a Plataforma Terráqueos mobiliza nossos jovens estudantes: durante todo o ano letivo, iniciativas foram empreendidas, tendo em vista angariar fundos. Uma frase da irmã Márian sintetiza o significado dessas ações:
“Neste momento, o Haiti vive do nosso amor e da nossa solidariedade, mas não apenas os haitianos estão sendo beneficiados por meio desta campanha, realizada pelo Colégio Santo Agostinho: o Haiti também está ajudando vocês a se tonarem pessoas melhores, mais solidárias”.
A Campanha contra o esquecimento encontrou as portas das salas de aula bem abertas: é surpreendente como o terremoto, visto como um fenômeno natural e social, evoca uma série de conhecimentos das diversas ciências e áreas do saber: geografia, física, matemática, história, ensino religioso etc. Compreender que após 2010 terremotos de proporções semelhantes aconteceram em outras regiões do mundo, com consequências muito menos graves, nos ajuda a refletir sobre a verdadeira situação do Haiti e do seu povo.
Caminhando para o encerramento do ano letivo e da campanha em 2012, a professora de história Inez Grígolo e os estudantes dos 6º e 7º anos desenvolvem um projeto que une conhecimento, reflexão e ação. Revisitando a história e as origens daquele país, conseguem ler os fatos com maior consciência crítica. E isso lhes permite elaborar ações mais consistentes. Por exemplo: uma das iniciativas para angariar fundos foi uma “ação entre amigos”, que dará um Tablet como prêmio. Essa ação coincide com as comemorações do Dia das Crianças. Os estudantes optaram por uma ação solidária, em prol das crianças haitianas, como alternativa à mentalidade consumista tão onipresente nessas ocasiões. Valores como a generosidade e o trabalho em grupo inspiram os alunos, que se organizam para divulgar a campanha junto às suas famílias e comunidades.
O desejo de se alistarem a grupos de voluntariado é outro resultado dessa iniciativa. Mais de 15 alunos dessas turmas já procuraram se inscrever e participar de ações de voluntariado, nesse último mês. E isso nasce das reflexões em sala de aula e da consciência de que a realidade socioeconômica na região do Colégio também desperta o senso de conhecer a realidade local e se solidarizar com o próximo.
A esse respeito, partilhamos o belo depoimento da aluna Verônica Anita, do 7º ano:
“Sinto orgulho de participar dessa mobilização; sinto orgulho de dizer que faço a minha parte e sinto orgulho do meu colégio por incentivar, apoiar e tomar iniciativas como essa, auxiliando o Haiti nesse momento de dificuldade. Esse gesto do colégio pode parecer pequeno, se comparado ao tamanho do país, mas é grandioso para as crianças e pessoas que recebem a nossa ajuda”.
Jean Carlos
Coordenação do Depas
Inez Grígolo
Professora de História
Coordenação do Depas
Inez Grígolo
Professora de História
![]() |
| Verônica e Marcos Vinícius |
![]() |
| Irmã Márian Ambrósio |
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Debate eleitoral no Colégio Santo Agostinho
Tudo o que peço aos políticos é que se contentem em mudar o mundo sem começar por mudar a verdade. (J. Paulhan, escritor francês)
Aconteceu no dia 14 de setembro o debate entre os candidatos ao cargo de prefeito de Contagem. Estiveram presentes os candidatos Carlin Moura, Durval Ângelo, Donaldo Pedroso, George Hilton e Gustavo Olímpio.
O debate foi precedido de grande expectativa: era a primeira vez que o colégio Santo Agostinho de Contagem abria as suas portas para um evento dessa natureza.
Aproximadamente 600 pessoas estiveram presentes nesse dia, entre alunos, familiares dos alunos, os convidados dos partidos e coligações, profissionais de imprensa e representantes da sociedade civil. O debate foi transmitido ao vivo pela TV Contagem, na internet, o que certamente fez esse público se multiplicar.
Sendo uma iniciativa da Plataforma Terráqueos, que promove ações e iniciativas em prol das pessoas, do planeta e dos animais, o debate foi aberto pelo discurso da diretora Aleluia Heringer, sublinhando a importância da cidade ser um lugar de acolhida das pessoas, da promoção da vida e do bem estar dos cidadãos.
Após a apresentação inicial dos candidatos, que foram calorosamente recebidos pelos alunos e toda a plateia presente, passou-se ao debate propriamente dito. A Plataforma Terráqueos, representada pelo professor Maicon, formulou três questões, voltadas para temas sobre a coleta seletiva no município, do combate à emissão de gases poluentes na região industrial, e da atual situação de carroceiros e utilização do trabalho animal em Contagem.
No bloco seguinte foram apresentadas perguntas formuladas pelos alunos do Colégio. Cada candidato teve a oportunidade de responder a duas questões, por ordem de sorteio. A diversidade dos temas apresentados e o levantamento de informações específicas sobre os problemas do município mostraram que os alunos estão em sintonia com o debate político, fugindo da generalidade e dos clichês comuns nesses eventos.
Os candidatos tiveram uma boa participação no debate, concentrando-se nas ideias e propostas de atuação no município. O clima de respeito e bom nível de discussão prevaleceu durante todo o evento. Nesse sentido, todos saem ganhando, ao ensinarem que é possível ter posições ideológicas diversas ou representar segmentos sociais distintos mantendo, entretanto, a consideração e a abertura ao diálogo com o outro.
![]() | |
| Gustavo Olímpio, George Hilton, Durval Ângelo, Donaldo Pedroso e Carlin Moura participam do debate |
![]() |
| Os candidatos conversam em clima amistoso, antes do debate |
![]() |
| Lorena Castro recebe o prêmio do Concurso Cultural |
![]() |
| Alunos participam atentos ao debate |
Assinar:
Postagens (Atom)



















