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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Haiti: solidariedade e serviço à vida


“Neste momento, o Haiti vive do nosso amor e da nossa solidariedade, mas não são apenas os haitianos que estão sendo beneficiados por meio da Campanha solidária permanente, realizada pelo Colégio Santo Agostinho em Contagem, Belo Horizonte e Nova Lima, o Haiti também está ajudando a vocês a se tonarem pessoas melhores, mais solidárias”. A afirmação é da Irmã Márian Ambrósio, diretora presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), na palestra realizada para alunos do Colégio Santo Agostinho de Contagem e Belo Horizonte, na manhã do dia 10 de maio, no Teatro Santo Agostinho.

Irmã Márian falou sobre os desafios da reconstrução do Haiti, depois do terremoto de 12 de janeiro de 2010, que matou 300 mil pessoas e deixou outras milhares em situação de abandono. A religiosa é uma das coordenadoras do Projeto Missionário de Solidariedade Brasil-Haiti, criado, logo após o terremoto, pelas Cáritas Brasileiras, com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da Conferência dos Religiosos dos Brasil (CRB). O projeto terá a duração de 10 anos e está no segundo ano de sua implantação. Atualmente, seis religiosas de diferentes congregações estão no Haiti, trabalhando em quatro frentes: plantação, distribuição de alimentos, núcleos de economia solidária (bordados e padaria) e Pastoral da Saúde.

Para irmã Márian, o maior impacto sofrido pelas primeiras religiosas que chegaram ao Haiti foi a fome, já que não havia onde comprar alimentos, e também a situação de abandono de muitas pessoas, principalmente das crianças menores, que perderam suas famílias no terremoto.


Caos humano e social

O governo do Haiti, segundo Irmã Márian, não tem projetos públicos. Na cidade de Porto Príncipe, onde vivem atualmente cerca de 3 milhões de pessoas, não há escolas, recreação, correios. As ações assistenciais são realizadas quase sempre por voluntários, muitos deles pertencentes ao Exército. Há ajuda também de outros países estrangeiros como, por exemplo, os médicos sem fronteiras de diversos países da Europa e engenheiros americanos que trabalham principalmente na reconstrução das estradas. Somente em Porto Príncipe, um dos locais mais atingidos pelo terremoto, a ONU organizou cerca de mil acampamentos. Destes, as irmãs brasileiras conseguiram atender apenas três, onde estão cerca de mil famílias.

“Por ser um país muito pobre, além dos problemas que sempre existiram, com o terremoto o Haiti passou a enfrentar muitas outras dificuldades. Somados à falta de alimentos e água, o país enfrenta atualmente epidemias de cólera, tuberculose e dengue”, afirmou a religiosa, observando que as ações humanitárias têm sido muito relevantes, mas, os projetos como o da Cáritas Brasileira, que propõe desenvolver ações a longo prazo, ainda são muito poucos no país. “Precisamos de engenheiros, médicos, agrônomos e, também, de doações em dinheiro para compra de medicamentos, brinquedos, comida”.



Uma palavra especial aos alunos do CSA-Contagem

No final da sua exposição, irmã Márian conversou com um grupo de alunos do Santo Agostinho-Contagem, juntamente com o coordenador do Departamento de Evangelização, Pastoral e Ação Social, Jean Carlos. Ela voltou a ressaltar os desafios para a reconstrução do país, falou da importância da solidariedade dos alunos e agradeceu a participação de todos na Campanha, convidando-os a darem-se as mãos, num gesto de união em favor do povo haitiano.Irmã Márian destacou que a verba arrecadada na campanha permanente do Santo Agostinho é destinada principalmente para a compra de arroz e feijão, que alimenta, diariamente, 150 crianças na cozinha implantada pelas religiosas brasileiras em missão.


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